O treinador que iniciou a carreira nas categorias de base do Guarani de Venâncio Aires no início da década de 90 não para de chegar em decisões. Na última quarta-feira foi a vez da Copa do Brasil, a mesma competição em que foi vice-campeão ano passado. Um ano depois de perder para o Sport, o Corinthians está novamente na final e com a chance de chegar à Taça Libertadores pelo caminho mais curto. Porém, a batalha não é simples, pois terá pela frente a equipe considerada por muitos a melhor do país. Como é difícil o contato direto com o treinador, o colega Elton Etges e eu enviamos algumas questões para que ele pudesse responder por e-mail. Mano ficou feliz por ter sido contatado e falou sobre a decisão contra o Inter e também a respeito do Guarani. A final, marcada para o dia 17, no Pacaembu, e com o jogo de volta no Beira-Rio, em 1° de julho, terá um duelo gaúcho entre Tite x Mano.
Segundo o site da CNN International, Mano Menezes é o quarto melhor treinador do mundo na atualidade. O gaúcho está atrás apenas de Josep Guardiola, do Barcelona, Alex Ferguson, do Manchester United, e José Mourinho, da Inter de Milão.
Se em 2008 o Timão foi à decisão como favorito ao título, o que pode ser dito para esta decisão contra o Internacional?
Estamos em um condição melhor para enfrentar essa decisão. Mas não me sinto pressionado. Acho que o futebol é feito de oportunidades. Eu queria ganhar no ano passado, mas não conseguimos. Todos nós aprendemos com a perda do título para o Sport. Será mais um jogo de duas grandes equipes. Essa final todo mundo já esperava no ano passado, todo mundo falava que já podia acontecer. Um dia a gente ia se encontrar.
Em quase todas as matérias que li pela Internet você cita o título do Guarani em 2002. Você hoje é um ícone de divulgação do nosso clube de Venâncio. Qual o conselho que você daria para a reestruturação do Guarani?
Tenho muito respeito pelo Guarani, afinal, este foi o clube onde comecei. Para a reestruturação, acredito que seja necessária uma visão profissional do futebol atual, que há muito deixou de ser administrado com visões apaixonadas e amadorísticas. Não podemos criar expectativas da participação de ‘colaboradores’, porque estes só darão continuidade aos investimentos diante de resultados – que nem sempre são positivos.
Em menos de 6 anos, sua vida profissional teve uma ascensão extraordinária. E para os próximos anos, dá para continuar neste ritmo?
Nós, técnicos, acreditamos no trabalho. Logo, vou continuar trabalhando para que os resultados sejam ainda melhores.
Pelo que acompanho pela imprensa, seu projeto é de ficar mais tempo no Timão e com os títulos acontecendo, o Mano estaria desta forma, muito próximo da Seleção?
Vejo o cargo de treinador da Seleção Brasileira como uma sequência natural de carreira que, para se tornar realidade, dependerá de uma série de fatores, na oportunidade em que a Seleção estiver sem técnico.
Com a vida agitada, treinando um time popular como o Corinthians, sobra tempo para acompanhar o que acontece por Venâncio?
Não vou ao Rio Grande do Sul desde dezembro de 2008. Mas, mesmo assim, procuro acompanhar os assuntos que me ligam aos amigos e a família.
Para finalizar, tenho certeza que toda a comunidade de Venâncio vibrou com sua conquista pelo Corinthians, da mesma forma quando você era treinador do Guarani. Como retribuir este carinho?
É sempre bom saber que as pessoas torcem pelo meu sucesso. E como Cidadão Venâncio-airense, tenho muito carinho pela cidade e procuro sempre representá-la bem.
Foto: site manomenezes.com.br